Docentes. Remuneração e valorização profissional

Recentemente foi divulgado o projeto de elevação e valorização do Professor pelo Governo do estado de São Paulo. A medida poderá elevar em valores de até R$ 7 mil reais o salário do docente.

Esta medida divulgada inicialmente pela Folha de São Paulo nos ultimos dias tem sucitado enormes debates em diversas comunidades do professorado na rede social Orkut, no Twitter e em diversos fóruns online. Muita euforia e animos exautados tem sido a tônica destes debates.

A proposta visa ampliar a remuneração do professor, diretor e supervisor de ensino a partir de uma avaliação anual onde os 20% melhores classificados passariam a receber um aumento salarial adicional ao já existente, que se baseia em uma progressão de 5 referências e que em uma avaliação geral é pouco significativa. Os profissionais da educação da rede estadual têm sua evolução salarial em cima de uma progressão por antiguidade (quinquênios), mais significativos que as referências. Além da prova o profissional precisaria não faltar às aulas e ficar pelo menos três anos na mesma unidade escolar. É uma maneira de se reduzir a rotatividade e o absenteísmo, além de se valorizar a formação.

Os críticos ao dizerem que isso é uma simples importação de idéias capitalistas esquecem que a Educação pública deve ser pensada de forma a otimizar e aproveitar melhor os recursos.

Um professor melhor preparado, presente e fixo por mais tempo na mesma Escola acaba por criar vínculos, estabelecer parcerias. Esta melhor preparação e mais motivado refletirá nas aulas e na melhoria do aprendizado dos alunos.

Valorizar a preparação do profissional, por meio de provas anuais, tem sido discutido por ser excludente. Porém deve-se verificar que em diversas categorias e áreas profissionais os que recebem melhores remunerações são aqueles que estão sempre se atualizando, fazendo cursos, buscando melhorar sua prática profissional.

Um grande entrave para muitos profissionais buscarem melhorar sua formação tem sido a questão salarial. Esta medida irá colaborar e será um estímulo para que muitos busquem se atualizar. E os que por qualquer motivo não atingirem a pontuação, ou mesmo não desejarem participar não terão negadas suas evoluções funcionais.

É verdadeira também a necessidade de se modificar o Plano de Cargos e Salários, conhecido como plano de carreira, da Rede Estadual. As Prefeituras de Sâo Paulo, Campinas possuem planos atraentes, que poderiam ser seguidos.

Vincular remuneração com ampliação da formação é algo louvável e que atinge toda a população de maneira indireta e diretamente de forma positiva. Atinge um corporativismo ultrapassado, mas defendido por muitos que não desejam mudanças por talvez não estarem como situação na esfera governamental.

Tem-se administrativamente uma quebra de paradigmas semelhante quando se passou a valorizar a Educação por projetos, por competências. Hoje avalia-se o aluno pela sua capacidade de produção e interação com o mundo, pelo progresso frente as novas habilidades que desenvolveu no seu percurso escolar.

Isso não significa ter chegado a um patamar onde termina-se a valorização deste profissional. Outras medidas são necessárias como melhores condições de trabalho por exemplo.

Porém uma demanda histórica que era a valorização do professor passará a ser atendida.

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5 Respostas para “Docentes. Remuneração e valorização profissional

  1. Cintia Barros

    Tanto quanto o senhor, sou professora há 23 anos na rede pública, faculdades e redes particulares. Tanto quanto o senhor,tenho cursos de especializações e etc… Sou considerada excelente profissional entre meus pares e por todos os meus alunos e ex- alunos. Porém, diferentemente do senhor, habito o planeta Terra, país Brasil e estado de São Paulo. Creio que o senhor, na melhor das hipóteses, seja um marciano, ou então está sendo pago regiamente para defender tão absurdo e aviltante projeto.Quando os nossos professores, diretores, etc, receberem decentemente e tiverem condições adequadas de trabalho, deverão sim, passar por situações que atestem seu mérito. Só se ganha mérito, alguém que tenha salário, o que não é o nosso caso. Tenho pena de seus alunos, pois uma pessoa tão tacanha como o senhor, não deveria estar na educação. Quanto o senhor recebeu e de quem ?

    • Prof Christian

      Professora Cintia

      Entendo que este projeto seja polêmico. Realmente é. Radical até. Alguns de seus pontos como o percentual de 20% dos melhores serão promovidos necessita de uma discussão.

      Por isso ao aqui colocar alguns comentários sobre o projeto busquei compartilhar não uma opinião pessoal mas uma análise a partir de elementos concretos da experiência que tive também na iniciativa privada onde a remuneração por mérito é há muito aplicada.

      Mas reforço e concordo com muitos que dizem que esta medida do governo estadual é radical, apesar de não excluir a antiga promoção por tempo.

      Como professor entendo que nossa remuneração não atingiu patamares dignos de nossa profissão, apesar de algumas poucas prefeituras terem um plano de carreira e de remuneração dignos de fato.

      Muitos dos nossos colegas tem uma formação excelente e sempre estão em busca de aperfeiçoamento, seja por meio de cursos ou leituras, discussões, sem qualquer outro auxílio.

      Mesmo quem tem a bolsa mestrado procura progredir em sua carreira pessoal. O projeto irá dignificar estes profissionais e outros sentirão estimulados em buscar seu aperfeiçoamento.

      Não é um projeto como este que sozinho significará melhoria para toda uma classe mas ações que mostram boas devemos acompanhar até para evitar que sejam depois desvirtuadas.

      A melhoria de um projeto é dever de nossa classe buscar. Solicitar melhorias permanentemente, ajustes, ver a aplicabilidade na prática.

      Como professor da rede pública acompanho este e outros projetos de mudança de nossa carreira.

    • Prof Christian

      Mande seu e-mail para mim pois o que você deixou não funcionou

  2. Acredito sim em projetos. Mas quantos deles realmente são postos em prática de verdade.

    Vc diz lá no seu texto que os alunos são avaliados por suas habilidades de interação. Isso acontece sim, na escola pública, pq a escola particular continua com seu currículo tradicional e formando pessoas que terão profissões consideradas boas ou de alto nível.

    Pq é que os alunos da escola pública precisam então ser avaliados pelas suas habilidades e não pelo seu conhecimento.

    Acho meio ridícula essa distinção e já disse certa vez em uma sala indisciplinada: “Gostaria de que vcs escolhessem o futuro de vcs hoje. Pq em vários lugares desse país alguém está estudando para ser médico, advogado, promotor, dentista, mas vcs são produtos da massa e não aceitam nem o pouco que nós professores oferecemos para vocês ainda que o Governo insista em destruir cada vez mais nosso currículo e obrigá-los a repetir a historia dos pais de vcs”.

    A educação, caro professor, não tem valor na periferia, pq aqui não se tem referencia do que é boa educação.

    Eu sou professora da rede estadual há 5 anos, faço cursos de atualização com uma frequencia que chega incomodar meus colegas de trabalho e ainda assim, ganho o mesmo tanto. Não me inscrevo e nunca me inscreverei para fazer uma prova de mérito. Meu mérito já está garantido quando escolhi ser professora e ensinar aquilo que preciso ensinar e não aquilo que me mandam.

    Enquanto ainda existir gente defendendo políticas educacionais excludentes e que fragmentam nossa categoria a educação continuará excluída e fragmentada: fadada ao fracasso.

    • Prof Christian

      Avaliação de habilidades e não de conteúdos.

      Os alunos de boas escolas particulares tem diversas habilidades desenvolvidas. Porém entender que somente o conhecimento enciclopédico é necessário é um erro primário, pois o nosso aluno precisa ter preparação para o trabalho, para uma vida em sociedade e para a vida acadêmica. O aluno das chamadas escolas particulares de ponta são um peque no número que não precisam estar preparados para um mercado de trabalho tão cedo.

      Nem sempre tem uma formação que os mostre o mundo de forma como é. As habilidades e competências que pretende-se trabalhar com o nosso aluno são necessárias Professora.

      A Educação tem valor na periferia sim. Se alguns membros da sociedade do entorno não a valorizam trata-se de nosso papel colaborar para mudar esta realidade nas gerações mais novas.

      Uma rede tem preceitos e uma organização própria. Se foge-se disso não entende-se como parte um grande grupo e portanto aliena-se dele. Não entender a Rede municipal ou estadual com um conjunto dentro de uma diversidade é também não admitir a existência de redes como o Objetivo que tem diferenças em suas escolas da rede direta e franqueadas. Porém existe um conceito dentro do nome, marca, Objetivo.

      Não defendo políticas excludentes em nossa categoria mas precisamos nos unir e parar de não querer ver a nossa realidade enquanto rede.

      Dizer liberdade de cátedra como uma autorização para fazer e ensinar o que se desejar sem uma noção de um currículo amplo é desvalorizar todos um trabalho coletivo.

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