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Movimento de Jovens: Escotismo, Escola Pública e Adhemar

Schneider e Kassab na Plenária da Conferência Municipal de Educação

Aprender Fazendo. Fala de John Dewey utilizada muito por Baden Powell no Movimento Escoteiro. Não há registros de que tenham se encontrado mas tanto o grande pensador da Escola Nova e o fundador do Escotismo tinham aqui um ponto em comum. O ser social aprende quando ele faz, participa de uma ação, de um fato de um momento. As suas experiências são significativas na formação de sua concepção de mundo, e para que possa fazer suas escolhas e tomada de decisão.

O centenário Movimento Escoteiro sempre buscou ressaltar a participação do Jovem nas decisões e como agente ativo na realização de suas atividades tendo o adulto ao seu lado como orientador do processo de aprendizagem a partir de um Método Educacional. No final dos anos 90 uma grande reforma do programa escoteiro buscou trazer uma preocupação mais educacional aliada ao Método. Não era uma mudança de ideal mas tentar maior aproximação com o Jovem e seu mundo, valorizando suas experiências fora do Movimento.

Aluna Juliana em ação

A Escola Nova, movimento no Brasil encabeçado por Fernando Azevedo, Lourenço Filho, Anísio Teixeira, entre outros intelectuais atores ativos na Educação tinha também este ideal. Ideal que sempre busquei aprender um pouco mais, compreender e hoje digo com convicção que sou um Escolanovista funcionalista (apesar de ser um termo hoje desconhecido ou até estranho aos ouvidos de  muitos educadores).

Hoje na abertura da Conferência Municipal de Educação ao ver a desenvoltura dos jovens e também seus receios me fez lembrar do momento em que estive no Escotismo. Membro jovem de 1993 à 1999 e membro adulto de 1999 à 2007, muito pude aprender e desenvolver através do movimento um senso sobre Educar, protagonismo juvenil.

No Grupo Escoteiro o jovem participar de momentos de decisão como Assembléias de Grupo, Eleições de Diretoria começaram a ser uma constante, memsmo com outros grupos que se espantavam com a participação ativa dos jovens (de forma representativa, mas ainda assim espantos eram notados).

Na Conferência Municipal abriu-se a participação para jovens serem delegados, votar, serem votados a partir dos 12 anos. Nas Assembléias Escoteiras Regionais ou Nacionais sempre se precisava e até hoje ter ao menos 18 anos.  Um avanço sem dúvida. Participação ainda pequena mas é o começo.

Professores e alunos da Imprensa Jovem com o Secretário da Educação Alexandre Schneider

Mas voltando aos jovens da Escola. Notei neles um brilho no olhar, uma vontade em participar e atuar igual a de Escoteiros que tem esta preparação, tem uma pré disposição de estar todo final de semana reunido para fazer uma atividade. Protagonismo juvenil com seriedade e objetividade. O Programa Nas Ondas do Rádio, Imprensa Jovem é isso.  integrado à Educação formal com apoio oficial. Não conhecem o Escotismo. Mas são verdadeiros Escoteiros e Lobinhos. Sábado na festa junina o dia todo demonstraram isso. Até na desmontagem de tudo.

No Adhemar vivo semanalmente isso no projeto e em diversos momentos da Escola. E lá não sou um voluntário mas sim um Professor. Existem as atribuições do cargo de docente mas tenho em paralelo o projeto. E ele é muito proveitoso.

Sinto em diversos momentos estar na Escola que um dia estudei no Ensino Médio, onde a união era grande, mas com os jovens com que trabalhava no Grupo Escoteiro.

Sem dúvida São Paulo aos poucos dá um salto na Educação de forma constante e com projetos que se integram com a Escola.  Sem termos Movimentos como o Escotismo (ou até mesmo ele em algumas escolas) diretamente envolvidos no processo educacional. Movimentos que sempre trabalharam com o jovem em suas diversas faixas etárias com mais de 60 mil membros só no Brasil.

A Imprensa do Adhemar não tem recursos superiores a um Grupo Escoteiro e nem uma verba específica destinada a ela . Não poderia ser diferente pois é um projeto dentro de uma Escola e eu enquanto docente não concordo em deslocar somas só para um projeto. Mas ainda assim a escola fez investimentos que ajudarão o projeto e a unidade como um todo (reforma do Estúdio de Rádio, troca de toda a fiação do sistema de som do pátio, instalação de telão eletrônico, planos de upgrade nas memórias do Laboratório de Informática Educativa). Investimentos para um coletivo.

Um Grupo Escoteiro também não tem geralmente grandes recursos pois é mantido pelos pais. Mas Projetos como a Imprensa Jovem tem custo pequeno e grande retorno no desenvolvimento de habilidades e competências, em particular a Escritora e Leitora, dos alunos envolvidos. Integra ainda mais a Unidade escolar por permitir a construção e a valorização da identidade da Escola e o aluno como sendo pertencente daquele grupo. Consequentemente tem-se a valorização do Espaço Educativo, a participação da comunidade escolar de forma mais legítima.

Muito tem a ser feito. O projeto tem menos de 6 meses. Mas sinto ali resultados vindo muito rápidos… Mais que tinham previsto de forma otimista… Hora de aperfeiçoar o projeto deixar para o jovem a oportunidade de enfrentar outros desafios.

PS: As fotos deste artigo foram feitas pelos alunos da Imprensa Jovem. Nenhuma sofreu tratamento ou redefinição de resolução.

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6 Respostas para “Movimento de Jovens: Escotismo, Escola Pública e Adhemar

  1. Não me canso de repetir que sou imensamente feliz por ter o privilégio de conhecer pessoas tão especiais como você, que acreditam nos nossos jovens, que lhe dão oportunidades para mostrar a energia maravilhosa que possuem. Parabéns pelo trabalho.

    • Prof Christian

      Imagine…
      O trabalho é possível quando temos uma soma de liberdade institucional e interesse dos jovens…

  2. Volto, aqui, à velha frase de John Dewey:”Dizer que se ensinou quando ninguém aprendeu é o mesmo que se dizer que vendeu quando ninguém comprou!” Devemos aproveitar o que Dewey nos passou…A base da Educação norte-americana é essa: APRENDER FAZENDO!

    • Prof Christian

      Aprender fazendo vai de encontro com a prática, com a experimentação. (Delors aperfeiçou o termo ao colocar aprender a aprender)

      BP era inglês….. e usou parte do Escolanovismo…. Aqui no Brasil Anísio Teixeira adaptou o ideal de Dewey

      Ideal mudado depois nos anos 60 dos EUA……

      Lá tiveram outros representantes mas na Europa diversos pensadores e educadores tiveram tendências escolanovistas como Freinet, Decroly, Claparede (mestre de Piaget)

      No Brasil bons exemplos são Fernando Azevedo, mentor da USP/ FFCL, Lourenço Filho, Anísio e Noemy Rudolfer

  3. Como professora alfabetizadora (pedagoga) e chefe de lobinhos posso perceber na sua fala um pouco do que faço com certa frequência: intercâmbio de conhecimentos entre as duas realidades. Elas têm muitos pontos em comum, mesmo sendo formas distintas de Educação.

    • Prof Christian

      Concordo Márcia.

      Muito do que vivenciei no Escotismo procurei aplicar na Educação Pública, principalmente a questão do trabalho em equipe e do aprender fazendo

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