A reabilitação do centro como indutor do desenvolvimento da Cidade de São Paulo.

O centro das grandes cidades em todo o mundo acabam durante o dia concentrando negócios e serviços aos cidadãos. O grande desafio vem nos finais de semana e a note. Muitas cidades tem seus centros esvaziados de população fixa. O resultado é uma desvalorização e sub aproveitamento destes espaços. Desvalorização por conta de insegurança, falta de atividades de lazer. Sub aproveitamento pois a estrutura urbana básica está pronta e fica subutilizada aos finais de semana e durante a noite, e quanto ao lazer muitas cidades têm em seus centros importantes espaços culturais mas que tem um horário de funcionamento restrito.

A partir dos anos 1970 a cidade de São Paulo teve o seu centro esvaziado. Políticas urbanas indiretamente colaboraram para isso como a da implantação do Metrô que permitiu um acesso mais rápido ao centro de regiões mais distantes, e com com maior oferta de imóveis além de serem mais em conta. A antiga FEPASA ao implantar o Plano de Modernização dos subúrbios a partir de 1974 possibilitou a ligação Grande SP – Centro com maior qualidade dos serviços a partir da chegada dos Trens Unidade Elétricos Franco Brasileiros que substituiram gradativamente os Trens Toshiba japoneses a partir de 1978 em paralelo a novas Estações na Linha Itapevi – Julio Prestes. Hoje estes valentes trens japoneses estão aposentados mas seguem prestando serviços em Salvador.

Os calçadões do centro planejados pela EMURB inicialmente causaram espanto e ao invés de trazer melhorias não foram atrelados a um plano de estacionamentos ou transporte público de forma integrada. Os carros não mais podiam entrar no Centro, ficando definitivamente confinados a um anel viário de contorno do Centro. Os calçadões nos anos 80 foram tomados não por pedestres mas por camelos, sendo o poder público municipal permissivo a esta ocupação no início dos anos 90, ao mesmo tempo em que o Anhangabaú voltava a ser espaço de circulação de pedestres com o desvio do tráfego para túneis. 

Alguns planos urbanísticos foram um pouco mais desastrosos como o do Minhocão e da Praça Roosevelt acabaram esteticamente e economicamente com Avenidas como a São João e o seu entorno. 

Residir no centro passou a ser de inicialmente caro para desinteressante por trazer uma aura de região degradada. Os casarões dos Campos Elíseos que desde o final dos anos 40 deixava de abrigar a antiga elite urbana passaram a abrigar cada vez mais cortiços, fato acelerado com a implantação do Terminal Rodoviário da Júlio Prestes nos anos 60. O próprio Governo do Estado mudou o Gabinete do Governador, sinal do desprestígio crescente da região. 

Movimentos sociais passaram então a  pressionar por uma mudança.  Se em 1978 a cidade assistiu a requalificação do Edifício Martinelli de cortiço vertical para sede de Secretarias e Empresas Públicas Municipais no final dos anos 90 os Centros Velho e Novo passam a concentrar as novas sedes de diversas Autarquias, Estatais e Secretarias dos Governos do Estado e Municipal em um empreendimento ousado de transferências da Administração Pública de volta para o centro. Política administrativa eficiente pois trocou-se aluguéis caros e que deixavam Secretarias e Estatais distantes e com diversos prédios para uma localização centralizada. Recuperou-se prédios, movimento de pessoas que foi acompanhado de uma requalificação de parte do comércio na região central, por parte dos comerciantes. Os calcadões passaram a ser entendidos como locais de circulação e também em prol da segurança precisavam ser desimpedidos (imagine um prédio em plena Rua Direita pegar fogo a dificuldade do acesso de Bombeiros e equipes de resgate). Os camelos foram alocados em pontos localizados, com maior controle da procedência das mercadorias.

A mudança continuaria com o cerco a antiga Cracolândia, e está em curso permanente com a reforma da Biblioteca Mario de Andrade que terá incorporada a antiga sede do IPESP, permitindo a volta do seu acervo há anos alocado na Biblioteca Prestes Maia em Santo Amaro. Na última semana duas notícias focaram o centro.  O projeto de IPTU progressivo para imóveis localizados no Centro que estão desocupados e reforma dos calçadões.

Muitos destes imóveis estão vazios por conveniência e a espera de valorização imobiliária. É a antiga especulação que sempre emperrou diversos projetos na Capital. A possibilidade inclusive de desapropriação é importante pois o Centro e outras áreas definidas como de Interesse Social, possuem em geral infra estrutura urbana consolidada, oferta de serviços de concessionárias públicas, transportes entre outros itens necessários a moradia e trabalho.  Apesar de críticos verem isso como medida arrecadatória deve-se lembrar que a função da Prefeitura não é fazer planos como o de se empurrar a população para a Periferia como se fez durante 30 anos. Desenvolver, administrar é também saber usar os espaços já existentes, como os chamados vazios urbanos.

Quanto aos calçadões eles precisam sim de uma reforma urgente A troca do mosaico português, que é característico de SP e do centro não é do ponto de vista social histórico o mais adequado. SP infelizmente desde 1870 tem o arraigado costume de arruinar toda antiga edificação ou visual urbano em prol de um novo. Não se trata de manter estruturas arcaicas mas de se conservar a história da cidade. Evitar que o paisagismo da Paulista, primeira a ter um plano estilistico e urbanístico focado, ser desvirtuado por modismos e gostos de governantes.

Não basta reformar e sim conservar com uma política dura contra concessionárias públicas e obras particulares e públicas que sempre danificavam o pavimento. Mudar esta cultura é importante.

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Uma resposta para “A reabilitação do centro como indutor do desenvolvimento da Cidade de São Paulo.

  1. PERFEITO. Qdo eu era vereadora, lutei muito para que fosse votado um PL do vereador Paulo Teixeira, que propunha exatamente a regulamentação da lei que JÁ PREVÊ o IPTU progressivo sb imóveis não utilizados ou sub-utilizados em regiões em que há necessidade de se aproveitar melhor a infra urbana e a oferta de postos de trabalho e serviços públicos e privados com o repovoamento – como é o caso do centro de São Paulo. Pois bem, lutei sozinha (tá registrado nos anais, p quem quiser consultar – mil prounciamentos na tribuna, inclusão a duras penas na Ordem do Dia para logo ser derrubada a sessão por falta de quórum… No http://www.gabinetesoninha.zip.net há relatos da batalha). Felizmente, depois q eu saí, foi aprovado o PL no Police Neto, com outra formulação mas tratando do mesmo assunto. ALELUIA! Se não houver essa reorganização do uso e ocupação do solo urbano, não vai haver p ex transporte que dê conta do exodo de milhões de seus bairros e cidades-dormitório para o centro toda manhã.

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