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Descanso e Acomodação: combinação complicada na coletividade urbana.

A inércia e a acomodação do cidadão e da Administração Pública são freqüentemente associadas na sociedade brasileira como um ranço de um passado onde não haviam ferramentas de acompanhamento das Políticas Urbanas e Sociais.

No entanto, no dia a dia nota-se que este ranço ainda persiste. Nos períodos de férias cidades como Praia Grande, que possui uma população fixa de cerca de 260 mil habitantes, tem um acréscimo entre 300 mil até 1,5 milhão de pessoas vindas, sobretudo da Capital e Interior Paulista. O retrato da falta de zelo pelo coletivo nota-se tanto no cidadão quanto na Administração Municipal, notadamente na limpeza e manutenção dos passeios e vias públicas. E o aumento da população flutuante não pode justificar esta postura, principalmente porque é ela que vem para a cidade e traz divisas, além da arrecadação dos impostos como o IPTU pago por quem mora ou apenas passa alguns finais de semana na cidade.

Ruas alagadas. Gestão e cidadania falhas.

O cidadão que coloca fora de horário o lixo para fora de casa diretamente na calçada e não em um suporte livre da ação de cachorros e fenômenos meteorológicos, colabora para que bueiros fiquem entupidos e vias emporcalhadas, a exemplo da faixa de areia das praias. Um grupo de amigos ou familiares se reúne ao redor do guarda sol de maneira animada e vão ali concentrando diversos tipos de detritos, como garrafas, restos de alimentos e latas de alumínio. Ao fim do período recolhem todos seus pertences e deixam a marca de sua passagem ali na areia, semelhante como faziam seus antepassados nômades que migravam de um ponto a outro a busca do alimento. A evolução humana permitiu que os seres humanos se fixassem em núcleos que posteriormente deram origem as cidades da contemporaneidade. Cidades que foram se transformando e que precisaram de ações sanitárias como as realizadas pelo Engenheiro Saturnino de Brito em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Santos.

O lixo principal resíduo da presença humana nos ambientes há muito é recolhido na maioria dos centros urbanizados. Na orla de Praia Grande existem diversos latões e espaços para o acondicionamento do lixo produzido ou resultante da atividade paralela ao descanso do paulista: o beber e se alimentar durante o período de permanência na faixa de areia. Porém não basta o Poder Público colocar os cestos e fazer a devida destinação do lixo. É necessário um senso de coletividade e urbanidade do ser social de recolher o lixo de maneira adequada ao contrário da ação de deixar a sua marca ali como se fosse um registro da passagem da evolução humana.

A higienização pensada por Oswaldo Cruz e Saturnino de Brito foi somente implementada de maneira correta nas cidades da orla brasileira muitos anos depois. A crescente ocupação das margens de rios e do mar exigiu que a distribuição de água e coleta de esgoto ficasse mais eficiente. Praia Grande é provida de emissários marítimos que enviam diretamente ao alto mar o produto vindo de troncos coletores e de toda a rede de esgotos da cidade, que antes era descartada junto à faixa de areia.  Paliativos os emissários marítimos apenas retardam uma solução para o tratamento correto dos resíduos, porém isso já é outra história.

Porém ações simples são também esquecidas pela Administração. Desde o aumento do número de varredores em praias bem como a limpeza periódica com maior freqüência nas altas temporadas dos bueiros, fiscalização do cumprimento das regras pelos moradores fixos e flutuantes e lembrar que primeiro é necessário orientar para depois adotar medidas de punição.

Uma simples chuva durante parcela de certa tarde de alta temporada, quando ruas e calçadas ficam tomadas pelas águas que não conseguem encontrar um bueiro desobstruído devido a esta inércia e acomodação social, demonstram que uma evolução na coletividade urbana ainda precisa acontecer.

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2 Respostas para “Descanso e Acomodação: combinação complicada na coletividade urbana.

  1. Pois é, caro Chris… Eu particularmente vejo isso ao longo de alguns anos… sem nenhum orgulho, é claro! Pena que não filmei (por motivo q vou contar) como alguns varredores fingem que varrem as ruas de PG. Não filmei, pois não dá pra andar c filmadora, celular ou câmera devido aos inúmeros roubos por “gang” de bicicleta… Apesar q na orla, próximo ao centro haviam alguns guardas fazendo revista em vários “suspeitos”, diminuindo um pouco a ação de roubos (só ali…).merlirodrigo.wordpress.com

    • Prof Christian

      Rodrigo, bom dia

      Impressiona que faltam mecanismos para se ajustar situações como esta que sem dúvida maculam qualquer iniciativa da administração pública.

      Felizmente não fui alvo de gangs de bicicleta (mesmo ao andar em ruas residenciais, lindeiras a praia e na Kennedy com o celular… Mas sem dúvida é outro problema. E segurança pública é algo igualmente sério.

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