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Estruturas e concepções educacionais de 1971: O passado vivo no presente.

A recente greve das Universidades Federais trouxe a sociedade a lembrança da falta de estrutura dos Campi inaugurados pela Gestão de Fernando Haddad quando esteve a frente do Ministério da Educação.

Desde então o que se verifica são uma sequencia de Unidades abertas, vestibulares realizados e concursos de professores, em número insuficiente, mas que atenderiam a implementação inicial. Passada a euforia o que se verifica é uma ação desprovida de equalização do oferecimento de vagas e das reais condições de funcionamento dos cursos.

A Universidade Federal Fluminense, UFF, que ampliou em 52% o número de vagas, tem algumas instalações que relembram a política de abertura de escolas de um prefeito paulistano que na pressa de atender parcialmente a demanda escolar construiu as chamadas escolas de lata, que se revelaram serem de maior custo do que as de modelo tradicional, de tijolos e concreto. Instalações em contêineres na UFF são aceitas pelo MEC porém o mesmo Ministério não aprovaria tal ação se fosse realizada por uma Universidade particular dentro de uma política de expansão. Alguns outros prédios estão ainda no esqueleto, devido à falta de licenciamento das obras realizadas em região residencial.

Claro retrocesso e desmerecimento ao ensino público.A Universidade de São Paulo ainda hoje também substitui barracões de madeira mas não inaugura-se mais Unidades em tais condições. Como exemplo tem-se no início dos anos 2000 a expansão da Universidade Estadual de São Paulo realizado com apoio das Prefeituras locais. O processo evidentemente foi outro.

Estas ações de expansão do ensino público superior relembra por fim uma prática advinda do Governo Militar, o mesmo que hoje é tido como símbolo do que deve ser esquecido, mesmo tendo-se como aliados aqueles que foram os principais executores da política dos Militares (Vide o fato de Delfim Neto, ex Ministro de Médici e autor do Milagre Economico que trouxe a recessão econômica e hiper endividamento externo na década seguinte  e de Maluf, Governador Biônico serem respectivamente consultores econômicos e aliado político do Governo Dilma).

Com a aprovação da Lei 5692 em 1971 ficou formalizada a necessidade de expansão dos então 1º e 2º Graus de forma a atingir a todos. Foram construídas diversas escolas e em prol do ideário de escola para todos faltou-se um planejamento que levasse em consideração a expansão da rede com Unidades Escolares melhor estruturadas. Isso hoje vem sendo aos poucos solucionado com reformas dos prédios escolares mais antigos e divisão de grandes unidades em prédios menores. No caso específico da Educação Básica já foi constatado que escolas “jumbo” não são o modelo mais adequado, porém não se justifica escolas grandes sem estruturas mínimas. Porém durante cerca de 30 anos muitos erros se sucederam como: construções de escolas de madeira e depois de lata, construções de novos blocos ou salas em escolas já existentes, criando verdadeiros jumbos que seriam de difícil administração, ação dos 70 que foi continuada na redemocratização por uma necessidade que depois virou prática.

Ações coerentes também surgiram como projetos escolares feitos de forma modular (Neste sentido a CONESP depois FDE, órgão auxiliar da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo muito contribuiu). A Prefeitura de São Paulo implementou já nos anos 70 as salas de leitura e nos anos 90 os laboratórios de informática educativa.

A expansão como vem sendo feita atualmente repete erros do Governo Militar de apenas dar uma pseudoinclusão do aluno ao ambiente de ensino. A insatisfação dos docentes das Universidades Federais não é somente por questões salariais, mas por necessidade de condições dignas de trabalho. A mesma reivindicação de professores da educação básica nos anos 70 e 80. Uma problemática que mudou apenas de nível.

Créditos das Imagens: Imprensa de Niterói.

Leia também: Incoerência Estrutural 

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2 Respostas para “Estruturas e concepções educacionais de 1971: O passado vivo no presente.

  1. Pingback: Incoerência estrutural | Blog do Professor Christian

  2. Às vezes, fico com o sentimento bastante forte de que a
    Educação no Brasil é feita para não dar certo.Precisamos
    urgentemente buscar novos caminho para educação, assim 0s docentes possam dar aulas com dignidade e os discentes
    possam aprender em escola com mais estrutura.

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