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Profissão Docente. Breves apontamentos

Muito se comenta sobre ser professor na atualidade. Acaloradas discussões no entanto não esgotam o assunto, mas desviam de alguns pontos que poderiam sofrer uma abordagem mais ampla e ao mesmo tempo focada.

Antigo Instituto de Educação de SP. Aqui alunos e professores eram o símbolo da educação plena que a República vislumbrava. Abrigou depois o nascimento da USP. Hoje é sede administrativa da Secretaria de Estado da Educação.

A escolha da profissão é desde a mais tenra idade alvo de enquetes, debates, discussões. A profissão docente muitas vezes é uma escolha que pode estar ligada a um anseio, escolha prévia ou durante a graduação.

Não pretende-se alongar no tópico sobre a formação docente aqui. Mas cabe dizer preliminarmente que os estágios e a maneira como a Escola de Educação Básica é apresentada nos bancos acadêmicos nem sempre expressam uma realidade da profissão. Muitos trabalhos e escritos acadêmicos perdem-se em mostrar as dificuldades da profissão e não os trabalhos que são desenvolvidos com sucesso em diversas Unidades Escolares. A grande quantidade de vagas abertas em cursos universitários de licenciatura em instituições públicas e privadas levam a uma ilusão de vagas de trabalho. Licenciaturas realizadas em 3 anos ou menos, conforme as diversas manobras existentes na Educação Superior desvalorizam a formação do docente, quando comparada com a formação do bacharel em outras áreas que pode com pequenas adaptações fazer um curso de curta duração e ter acesso ao diploma como licenciado.

Tradicionalmente a remuneração ocupa um lugar de destaque quando o assunto é falar sobre Educação. Comum também a citação de que antigamente os professores tinham melhor remuneração. Uma meia verdade, onde basta ler mais atentamente relatos de antigos professores e registros como o de Maria José Dupré, escritora que dedicou-se a tarefa do magistério antes de pender-se para os livros. Dupré em sua obra autobiográfica traz importantes registros das agruras do ensino em um interior de São Paulo ainda pouco desenvolvido e isolado, com um salário que não era propriamente um ordenado suficiente para a manutenção de uma família. A referência utilizada por muitos não contemplava a questão de hoje muitas famílias serem mantidas com o salário de um professor.

Porém ao se ir mais a fundo na discussão da remuneração acabam outros assuntos sendo encobertos e esquecidos. O chamado acúmulo de cargo é um recurso há tempos utilizado para ampliar os salários. A falsa impressão de ampliação da remuneração vem junto com a verdadeira ampliação da faixa de comprometimento da renda familiar. Comprometimento que quando o docente passa a ser acometido de cansaço, stress pela alta carga de trabalho (semelhante a de um operário do princípio da Revolução Industrial) e doenças advindas de todo o excesso, praticamente limita a possibilidade de dedicar-se a um único cargo. Para o professor que acumula fica a impressão de que está lhe sendo vantajoso e que este é o único meio de melhorar sua faixa de ganhos. Ledo engano por isso encobrir a necessidade latente de professores em determinada rede. Tem-se um “excesso de oferta” de mão de obra que acaba por aceitar o acúmulo. Se hoje tem registro de falta de professores em diversas áreas, seria muito mais se não houvesse o acúmulo. O equilíbrio entre oferta e procura se fosse diferente poderia gerar aumento da remuneração inicial e mais incentivos para docentes não deixarem o serviço, como aliás ocorre em outras áreas.

Vale considerar ainda a falta de tempo para dedicar-se ao estudo, tempo com a família, descanso mínimo. Faltas e outras ausências no serviço, diminuição da capacidade laborativa tem no acúmulo um dos grandes responsáveis.

Um outro ponto que tem afetado o rendimento dos professores, no sentido laborativo, tem sido o da função da Escola. A frequência escolar para parcela importante das famílias tem sido uma condição necessária não para vislumbrar uma Sociedade melhor ou com outras perspectivas. A ida do aluno a Escola tem sido encarada como condição para o ingresso ou manutenção em Programas de complementação de renda. Importantes, estes programas tem em seu viés a falta de propostas de desenvolvimento efetivo de uma economia local que substitua as bolsas auxílio por geração de trabalho e renda.

Mesmo em parcelas da Sociedade que não são atendidas ou abrangidas por estes Programas a Escola tem sido cobrada por buscar manter uma disciplina, atividades para os filhos sem que os pais cumpram o papel social que antes a eles era destinado: acompanhar o rendimento e aproveitamento dos filhos. Mesmo nos pontos onde a legislação coloca isso como tarefa da família, instituições de apoio que deveriam trabalhar em conjunto com a Escola como os Conselhos Tutelares, sofrem pela grande carga de trabalho e falta de preparo das equipes que os compõem, sobretudo nos grandes centros.

Retomar a função social da Escola é tarefa de todos. É sumariamente necessária para após definir qual o papel da Escola na Sociedade pós moderna e líquida para então redefinir o profissional que irá atuar nestes espaços e qual a sua formação. Rever a persona docente enquanto profissional.

Afinal, e ainda mais nos dias atuais, o professor não somente dá aula.

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