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Ser professor e ser aluno.

Uma dualidade saborosa. Ser professor e aluno ao mesmo tempo.

Ao voltar aos bancos diários acadêmicos a partir de uma outra linha formativa antigos valores e significados voltam a tona e tomam nova análise e forma. alguns pontos que adormecidos pareciam estar renascem, outros atualizam-se em uma velocidade admirável, acima daquela que os veiculos desenvolvem na hora do rush mas abaixo da anunciada banda larga de um certo tempo.

Ser professor não é dom ou vocação, palavras que gerariam um bom debate acadêmico. O foco não é ficar em um texto professoral, pelo menos tentar fugir do didatismo que aflora em determinados momentos. Ser professor é fruto de uma escolha lá nos idos de 1990 durante o transcorrer do que já se chamou de Ginásio, 5ª série, 1º Grau. Ginásio de fato não era apropriado nem mesmo para aquela época e o termo passou a ser tolhido e negado, pautado a ser substituído após a Lei 9394. Mas não vou me deter aqui para não cair novamente no didatismo.

Uma escolha que caia na encruzilhada. Não a descrita por Fernando de Azevedo, que depois seria o verdadeiro mestre inspirador dentro da Educação, dentro de um Universo de Freires, Paro e Ferreiro, mas escolha da área a seguir. Pendendo para a Arquitetura, ao tomar conhecimento de sua grade curricular que fugia de algumas habilidades e competências e interesses também a escolha ficou para a História.

Uma nova pista no trilhar já no 2º Grau, no colegial e outros nomes que ainda por predileção utilizo em minhas referências pessoais, me encaminhava para a docência e para a Pedagogia. Ainda como um curso decorrente de outro.

Não posso esquecer os excelentes professores que tive com quem muito aprendi. Mesmo aqueles que não guardo destaque foram importantes depois para a experiência docente. E sinto orgulho de ter sido aluno das redes públicas. Com todas as problemáticas e benesses que existissem e existem. Em uma Unidade Escolar em especial existia o principal. A relação aluno professor. Próxima sem cair no pessoal. Pautada no respeito, o que também integrava o quadro operacional e a Direção. Atitudes ali valiam muito mais que ausências de estrutura. Estas eram superadas com trabalhos em grupo, visitas as bibliotecas do Bairro, de Unidades Universitárias ali próximas. Era a Escola do Sonho.

O anseio que ficou do que um dia seria o ápice: ser ali Professor e quem sabe depois Diretor. Porém fatos naquele tempo mesmo desmontariam esta possibilidade e deixariam o Sonho como algo na memória e no desafio de reproduzir aquela relação em outras Escolas. Mas como profissional. A encruzilhada teria o seu curso novamente alterado. Em 1998 o ingresso na Pedagogia e a posterior recusa de primeiramente voltar-se para a primeira opção e em segundo transferir-se de instituição. O foco tinha se instalado de forma clara.

O curso de Pedagogia realizado durante a implementação de tantas alterações nas leis educacionais, o próprio curso ameaçado frente a um curso que surgiu na Lei e nunca foi devidamente explicado pelo falecido criador. A ausência do magistério não cursado era superada pela experiência cotidiana com professores valorosos e experiências trazidas desde o Timor Leste, Nordeste. A fase dos estágios realizados na rede Estadual. Além das atividades da Educação não formal, também com um novo projeto pedagógico em franca implementação.

Ser professor seria algo que demandaria alguns anos. Antes terminaria a meta dentro de outra área profissional.

Professor Fernando de Azevedo. Redator do Manifesto dos Pioneiros, Diretor de Instrução de SP, instituidor da USP e de sua célula mater.

Atuar em sala de aula mostrou-se algo além do aprendido nos bancos acadêmicos. Desafios que apareciam e nenhum teórico poderia explicar, mas as experiências cotidianas davam conta de buscar as soluções. Um espírito de grupo naquela Escola municipal. O ambiente o espaço que remetia ao Ginásio, com um grupo que remetia ao Sonho. No ano seguinte o ambiente seria reorganizado mas o grupo ficaria como a da Escola do 2º Grau.

A todos meus colegas professores, educadores, gestores, em especial aos professores da EEPSG “Nasser Marão” (ainda viva aqui), da então Faculdade de Filosofia, Letras e Educação da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da EMEF “Prefeito Adhemar de Barros”, dedico este texto.

Ser professor deve-se sobretudo a todos vocês.

 PS: Hoje estudo na Escola idealizada por Fernando de Azevedo, já muito modificada.

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