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Páginas de um quinquênio

Em uma dada manhã ensolarada o ato de subir os degraus da escadaria da Subprefeitura de Campo Limpo que abrigava então em seu segundo pavimento a Diretoria Regional de Educação do Campo Limpo, marcaria o inicio de uma jornada que nesta segunda feira dia 27 de maio de 2013 completou os primeiros cinco anos.  Em uma das salas que iria, em sua totalidade, desaparecer consumida pelo fogo de fevereiro de 2010 e que em Taboão da Serra seria por mim noticiado.

Marcas do incêndio que atingiu em 2010 a DRE Campo Limpo

Marcas do incêndio que atingiu em 2010 a DRE Campo Limpo

Documentos entregues e assinaturas dadas no termo de posse como Professor de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, nome do cargo que seria modificado entre a prova do concurso e aquele dia por uma Legislação pensada ao longo de um ano e concretizada em dezembro de 2007. Nome que substituía o de Professor Titular de Ensino Fundamental I.

Alguns minutos depois tomar o ônibus para a EMEF “Prefeito Adhemar de Barros”, no Jardim Catanduva, onde assumiria o módulo do Ciclo I no período noturno, outro nome novo. Ainda não estava ambientado aos caminhos que ligavam a então sede da Diretoria de Ensino a Escola e que posteriormente em outras ocasiões percorreria a pé cruzando o vetusto Morumbi Sul e cortando por caminhos que só alunos conheciam e me ensinariam.

EMEF Prefeito Adhemar de Barros

EMEF Prefeito Adhemar de Barros

Apesar de ser uma bela tarde, fiquei na Escola aguardando chegar o início do período noturno. Descumprir horários na Prefeitura desde este dia parecia ser algo perene. Andando e conversando pelos corredores daquela Escola que ainda tinha 4 turnos de funcionamento relembrava e me remetia a tradicional Escola Municipal de 1º Grau onde conclui em 1993 a 8ª série A no aristocrático Jardim Bonfiglioli, no Butantã.

Mas o clima que me contagiaria em poucos dias foi o mesmo que sentia na efêmera e saudosa EEPSG “Nasser Marão” onde vivi as mais alegres manhãs de minha vida como aluno. Onde vivi por apenas dois anos, até sua extinção por medidas nunca aceitas e que reafirmaram o desejo de ser Pedagogo, Professor e Servidor Público. Para que um dia um aluno que por mim passasse pudesse ter o mesmo brilho nos olhos que tive entre 1994 e 1995 na popular Vila Gomes. Na verdadeira Escola dos Sonhos, que não foi aquela onde seria emitido em 20 de dezembro de 1996 o certificado de conclusão do 2º Grau, mesma data da Assinatura da atual LDB. Sou um pouco fruto do currículo da velha 5.692, porém com o sopro da mudança dos anos 90. Uma das poucas boas lembranças do período de 1996 foi ter a companhia de 298 colegas, uma professora e nossa Diretora, todos transferidos de Vila Gomes para o outrora Instituto Estadual de Educação do Bairro da Previdência.

Não participaria da formatura, nem meus colegas, naquela Escola, pois não era a Nossa Escola. Relutei por mais de 6 anos registrar em fichas e documentos pessoais, currículos, o nome de lá sem que junto constasse também o da Escola dos Sonhos. Ainda hoje reluto (um pouco) em fazer este registro sem mencionar as duas Escolas.

Retomando da breve digressão… O ano de 2008 corria e com ele eu deixava para trás a rede estadual cada vez mais para ficar só no município. Terminaria a fase de 4 turnos da Escola que seria em 2009 reorganizada, a terceirização ficaria também mais presente. Campo Limpo partia de 56 EMEF para em 2010 ter 71 Unidades em funcionamento.

EMEF Jardim Mitsutani I - Jornalista Paulo Patarra

EMEF Jardim Mitsutani I – Jornalista Paulo Patarra

Após uma fase de incertezas (onde quase fui ser Professor Orientador de Informática Educativa em uma EMEI) assumiria em fevereiro de 2009 uma turma em razão do afastamento da professora regente. Uma linda segunda série. Minha 2ª série B (afinal todo professor de ciclo I tem este costume de dizer que a turma é sua). Instalada na sala de número 9. Fato que me remeteria novamente aquela EMPG em que entrei na 4ª série e que até a 6ª série ocuparia a sala 9 do então prédio novo (parecem que denominam hoje lá como prédio 3). O maravilhoso ano de 2009 contagiava e transcorria normalmente. A volta da professora regente longe de afastar-me da turma ajudou na aproximação com as demais 11 turmas do ciclo I enquanto professor em módulo (ou em Complementação de Jornada – CJ o nome correto). Na parte da tarde algumas vezes assumia as aulas do ensino fundamental II.  E adorava esta convivência com alunos e colegas. Um deles meu professor de Geografia dos tempos do ensino Médio. Aliás uma das poucas benesses que já estavam na Escola de 1996.

Uma proposta em maio de redação de projeto para a criação da Sala de Apoio Pedagógico – SAP me foi pedido. Porém no dia da Reunião do Conselho de Escola me foi feito o convite para ser também o Professor de Apoio Pedagógico. Fato que motivou, dias depois, nova visita ao prédio das divisórias, agora na Diretoria de Orientação Técnico Pedagógica para participar de uma entrevista de orientação para assumir o novo desafio. 99 dias se passariam e o Projeto de criação da SAP estaria ainda nas mãos do supervisor.

Chegava o segundo semestre e nas vésperas do concurso de remoção indicava-se que eu passaria a ser excedente devido a transformação dos adjuntos (os titulares também foram transformados, mas isso não parecia ainda claro à rede) e minha incipiente pontuação como docente. A designação, que tinha já saído da DRE agora nos intermináveis escaninhos da Borges Lagoa, não se publicava. Buscar uma escola para continuar como módulo (sim ficar em CJ, mas a rede prefere pelo visto módulo) e com isso possibilitar a liberação para assumir a SAP era um dos roteiros para aquele concurso.  A saída foi indicar diversas escolas não em Campo Limpo, mas nos domínios da Diretoria do Butantã. A lenda indicava que pegar turma nesta região era só para quem tinha tempos de rede. O resultado da remoção indicou minha primeira opção de uma lista de 10 escolas. A atribuição na EMEF Anexa ao Educandário Dom Duarte – EDD, que valeria para 2010 me indicava assumir uma turma. Uma nova segunda série. A lenda não se confirmava. Mas os sabores de publicações e efeitos legais, bem no ritmo da Prefeitura de São Paulo tinham me colocado algumas semanas antes da atribuição, porém depois do resultado da remoção, como Professor de Apoio Pedagógico do Adhemar. Disponibilizei a turma e anunciei que ficaria em Campo Limpo esperando nova remoção, tudo sob o severo olhar da então diretora do EDD e ao lado de outros colegas daquela escola, um deles pai de uma jovem do Movimento Escoteiro que tinha integrado e outra a minha própria mãe, professora há 20 anos daquela Escola e que em virtude da aposentadoria de um de seus cargos me abriu a escolha como professor regente. Um destes cargos tinha sido por um tempo ocupando a função de Professora de Apoio Pedagógico.

O incêndio do início de 2010 iria levar não meu prontuário como foi o caso de colegas, mas documentos importantes como a via original de minha nomeação como Professor, o Projeto de Criação da Sala de Apoio Pedagógico e a designação original assinada pelo Secretário Municipal de Educação que se tornaria tempos depois um amigo. Atuar na Sala de Apoio Pedagógico foi uma experiência maravilhosa que me exigiu retomar com muito mais empenho os ensinamentos aprendidos na Faculdade de Filosofia, Letras e Educação da Universidade Presbiteriana Mackenzie (sim sou Mackenzista). Destaco a liberdade de compor a grade de aulas podendo colocar em um mesmo dia algumas turmas pela manhã outras a tarde e a noite estar em Horário Coletivo, com diversas janelas por livre escolha era único. As janelas se convertiam em momentos de descanso, estudo e olhar sobre a comunidade do Catanduva. De poder estar com os diversos grupos da escola. E conjuntamente desenvolver o Projeto de Imprensa Jovem com minha colega Professora Orientadora de Informática Educativa Debora Deório. O grupo dos monitores que cresceria de forma espantosa em 2011 traria a possibilidade de aplicar os princípios do Escotismo no ensino regular. O protagonismo dos jovens surpreendia a cada dia. E a maioria deles  eram alunos das 4ª e 5ª séries. O registro dos eventos no Blog da Escola por onde passamos (Bienal do Livro representando a DRE Campo Limpo na cobertura, Fórum Municipal de Educação como delegados de Campo Limpo entre outros) é uma pequena parte das alegrias que estes meninos e meninas me possibilitaram sentir.

EMEF Desembargador Theodomiro Dias

EMEF Desembargador Theodomiro Dias

No ano de 2011 uma indicação feita por uma colega docente me levaria a uma nova entrevista. Desta vez em uma outra Escola (por sinal uma das que estiveram na lista de provável escolha quando assumi em 2008). A ligação me convidando para esta entrevista era inesperada. Os projetos estavam em seu ápice, mais monitores, novas máquinas na informática, ânimos em polvorosa devido as mudanças vindas para a SAP que passaria em breve a ser Recuperação Paralela, nova direção. Colegas e dois monitores em especial me incentivaram a ir participar desta entrevista. A entrevista que durou pouco mais de duas horas me trouxe uma imagem positiva de um Diretor que já conhecia um pouco pelas falas de minha primeira Diretora na Prefeitura de São Paulo. Uma grande amiga também. Em pouco tempo esta entrevista se formalizou no convite para ser Assistente de Diretor de Escola. Faltavam alguns meses para meu probatório terminar. O voto de confiança recebido gerou uma espera lá na nova Unidade, enquanto pude dar alguns andamentos com os trabalhos no Adhemar.

No iniciar do recesso escolar daquele ano saia minha nomeação como Assistente na EMEF “Jardim Mitsutani I – Jornalista Paulo Patarra”, no Macedônia. Poucos sabem, mas foi bom o Patarra ser um pouco distante do Adhemar. Temia que monitores apressados e antigos alunos pedissem transferência de Escola. (Alguns comentaram sobre isso na época).  A missão deles era continuar o trabalho que já tinham iniciado. Nunca quis competir ou ter de escolher qual era minha escola do coração em Campo Limpo. Simplesmente porque ficaria no empate. Talvez alguns duvidem ou fiquem chateados, mas é a verdade plena.

O Patarra tinha, e tem um potencial enorme. Um grupo de trabalho grande, muito mais alunos. E um prédio lindo. Mesmo com falhas construtivas tem linhas lindas e marcantes. Talvez o mais belo projeto de Escola. (Tem outros que também prefiro, mas fica em meu íntimo ainda a informação).  A grandiosidade daquele Edifício Escolar estava justamente em comportar nele uma diversidade de projetos iniciados pela Gestão do Diretor que se tornava um sincero e confidente amigo. Divulgar tudo isso era necessário para registrar também a história da jovem Escola. Um Blog seria criado que em um ano e meio teria mais de 30 mil acessos. O ano de 2012 seria marcado pela ampliação dos Projetos, inauguração de espaços, melhorias na parte física da Escola. E por todos começarem a identificar a Escola como Patarra ao invés de Mitsutani I. Os alunos foram os que primeiro se identificaram com o uso constante do nome do Patrono. A singularidade da escola ter nome e sobrenome fez parte da nascente cultura institucional.

Buscar novos desafios parece ser a marca de muitos educadores. O final de 2012 indicava um novo horizonte. O concurso de remoção se avizinhava e decisões pessoais levaram que meu diretor ingressasse em remoção, indicando Escolas no Butantã. Ingressei também em remoção. Até o último dia daquele ano e independente do resultado da remoção novas ações continuaram a ser feitas no Patarra.

O resultado da remoção chegara e antes da saída da equipe, com a presença dos familiares o descerramento de Placa em alusão ao Patrono da Escola foi então realizado. Nunca formalmente inaugurada, o Patarra, a homenagem se deu em um festivo dia de Mostra Cultural com a presença da comunidade para acompanhar a exibição de danças, exposições e projetos desenvolvidos com garra e destaque. A placa fixada era mais que simbólico na escola de nome e sobrenome. Um novo projeto como a alimentação self service seria só visto em testes pilotos no final do ano após uma dura negociação para liberação de uma autorização junto aos departamentos competentes. Ficariam pendentes projetos como de abertura do Ensino Médio e aplicação efetiva dos recursos do PDE Interativo. Algumas burocracias não ajudam às vezes.

O inicio de 2013 vinha carregado de algumas esperas, novamente nos escaninhos da Borges Lagoa. Trouxe junto a confirmação de que lendas continuavam ser parte do rico folclore que envolve a fama de algumas DRE, níveis de ensino e tempo de rede. Uma delas: o resultado de ter saído a primeira escola de uma indicação de mais de 40 unidades. A outra? Ter tido sala atribuída em uma escola de apenas 9 turmas. Por fim, a última lenda desfeita. Ser esta unidade uma EMEI situada no centralizado Bairro de Pinheiros. O escaninho da Borges Lagoa ganharia ainda uma comissão de avaliação das nomeações. O Diretor em Campo Limpo havia desde o ingresso em remoção convidado a equipe para ir junto para a nova Escola. No dia de início das aulas todos estaríamos juntos novamente agora em Butantã, na EMEF Desembargador Theodomiro Dias, em Vila Sônia.

Foram até agora pouco mais de 100 dias na nova Escola. Pouco tempo mas de muito trabalho. Como deve ser aliás a função de um Assistente.

Retorno ao Butantã. Agora como servidor e não como aluno. Não apenas lotado, mas em atuação. Desafios novos em uma senhora de mais de 56 anos de idade. Uma robusta edificação, mas que sente o peso dos tempos.  Revejo em Theodomiro um pouco daquela EMPG onde estudei de 1989 à 1993. Alguns fatos me retomam os tempos de pré escola. Feitos dentro do Planed em 1985 e de minha terceira série em 1988 em um outro momento. Experiências distintas. Todas em EMPG. Municipais e do Butantã. Mas também vejo um pouco do Adhemar e do Patarra. E em muitos momentos sinto a presença onipresente da Escola dos Sonhos em cada início e final de dia. Que novos e desafiantes cinco anos novamente venham.

Todas as fotos foram feitas por mim entre 2009 e 2013. Encontram-se sem edição ou recorte. São públicas e as Escolas tem o pleno direito de uso de todo o material que produzi digital ou documentalmente.  

Quanto a foto da Escola dos Sonhos ela existe… mas eternamente na memória (a original da fachada o tempo se encarregou de  ter levado os negativos)…

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8 Respostas para “Páginas de um quinquênio

  1. Maria Evanir Viva Jardim

    Christian, continue com o mesmo pique de hoje, aliás o que traz desde que o conheci e provavelmente de bem antes. Você, cujo regime é, sob qualquer circunstância, de dedicação plena merece seguramente chegar no lugar almejado com todo o louvor. Parabéns pelo entusiasmo com que recebe esses cinco anos de luta servindo a Prefeitura. Evanir

  2. Dilean Marques Lopes

    Christian, parabéns pelo registro mas, principalmente, pelo seu compromisso com a educação, vastamente demonstrado ao longo desse seu primeiro de muitos quinquênios! Dilean Lopes

  3. Catia Gavronski

    Christian, além de parceiro, amigo querido. Parabéns por esses cincos anos de dedicação e amor ao que faz. Catia

  4. Sandra Oliveira

    Adorei conhecer sua trajetória,espero também ter um blog futuramente para inspirar outros em relatar suas experiências profissionais como você está fazendo neste momento!
    Parabéns e abraços!!

  5. Sandra Regina Miranda

    Parabéns Christian! Pelo amor as crianças, amor ao estudo, dedicação e pelas competências executadas nas escolas que passou. Sandra

  6. BOA NOITE GOSTARIA DE SABER COMO FAÇO PRA FAZER ESSA ESCRIÇÃO DE INSPETORA MORA NA ZONA LESTE ARTUR ALVIM TENHOU 31 ANOS 27436764 CRISTIANE DA SILVA NASCIMENTO

    • Prof Christian

      Olá Cristiane

      Basta você ir até as escolas mais próximas de ti e fazer a inscrição. No texto acima tem um breve roteiro que explica um pouco do Comunicado de Prefeitura aqui tb anexado.

  7. PARABÉNS…SENSACIONAL…Me emocionei ao ler o seu relato,espero um dia poder te conhecer pessoalmente.Exemplo de caráter´profissional e acima de tudo ama o que faz.Seja muito feliz hoje e sempre.Sua admiradora.
    SOLANGE

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